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Reply-To: "paulobarros" <paulobarros@terra.com.br>
From: "paulobarros" <paulobarros@terra.com.br>
To: <gt-br@hipernet.ufsc.br>
Subject: Democracia virtual
Date: Tue, 29 Apr 2003 11:45:00 -0300
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Texto retirado do site
http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_tmes_set2002.cfm

(as proposi=E7=F5es para a elabora=E7=E3o do regimento interno da ABG =
enviadas em email recente, foram inspiradas neste texto)

boas energias
PB

              Tema do m=EAs de setembro de 2002

              As Redes e a atualiza=E7=E3o da experi=EAncia =
democr=E1tica:
              ensaio em torno das proposi=E7=F5es de comunidades =
virtuais de Pierre L=E9vy - Por Laura Olivieri


              Existem alguns pensadores que v=EAm considerando o =
fen=F4meno contempor=E2neo da constitui=E7=E3o de comunidades virtuais. =
Apresentamos inicialmente as  id=E9ias de Pierre L=E9vy porque as =
consideramos fundamentais para os estudos e para as pr=E1ticas de =
articula=E7=E3o em redes sociais. Suas conceitua=E7=F5es contextualizam =
as discuss=F5es ligadas ao advento de um ciberespa=E7o, al=E9m de =
apresentarem problemas filos=F3ficos e um sentido pol=EDtico. Em linhas =
gerais dir=EDamos que suas
id=E9ias s=E3o ut=F3picas e realiz=E1veis, a um s=F3 tempo.

              As proposi=E7=F5es de L=E9vy sobre o desenvolvimento de =
umciberespa=E7o, de experi=EAncias comunit=E1rias no virtual e de =
democracia eletr=F4nica t=EAm implica=E7=F5es pol=EDticas em sua
ess=EAncia. O que se busca =E9 o aprofundamento da democracia, em suas =
possibilidades contempor=E2neas.

              L=E9vy sugere a atualiza=E7=E3o da democracia, em primeiro =
lugar, porque a democracia representativa j=E1 n=E3o se adequaria =E0s =
experi=EAncias e demandas de participa=E7=E3o e colabora=E7=E3o das =
aspira=E7=F5es sociais e das organiza=E7=F5es contempor=E2neas. A demora =
e as caracter=EDsticas indiretas
do sistema representativo estariam levando os cidad=E3os globalizados a =
reivindicarem formas mais diretas e =E1geis de comunica=E7=E3o e =
intera=E7=E3o.

              A raz=E3o hist=F3rica que explica a necessidade de =
atualiza=E7=E3o da democracia seria contr=E1ria =E0s teorias do impacto =
social das tecnologias. O autor acredita que os meios de comunica=E7=E3o =
surgem e se inovam de acordo com demandas sociais e n=E3o o oposto.

              "a emerg=EAncia do ciberespa=E7o =E9 fruto de um =
verdadeiro movimento social, com seu grupo l=EDder (a juventude =
metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem (interconex=E3o, =
cria=E7=E3o de comunidades virtuais, intelig=EAncia coletiva) e suas =
aspira=E7=F5es coerentes." (L=E9vy, 1999. p.123)

              O advento de um ciberespa=E7o aponta para uma realidade em =
constru=E7=E3o. Por se encontrar em defini=E7=E3o, o ciberespa=E7o =E9 =
prop=EDcio ao desenvolvimento criativo de possibilidades. A realidade =
que se quer estabelecer =E9 poss=EDvel com algumas condi=E7=F5es e deve =
firmar-se a partir da articula=E7=E3o de redes de coopera=E7=E3o capazes =
de gerar a=E7=F5es e resultados sociais, na medida em que deve estar
a servi=E7o do desenvolvimento da humanidade.

              A tese de L=E9vy seria o desenvolvimento de um espa=E7o de =
proposi=E7=F5es e resolu=E7=F5es coletivas virtualmente constitu=EDdo =
(uma =E1gora virtual), capaz de promover o exerc=EDcio pleno da =
cidadania (cidadania ativa), por meio de uma gest=E3o participativa, em =
benef=EDcio do bem comum.
=20
              Os argumentos que legitimam historicamente a =
configura=E7=E3o de uma =E1gora virtual sup=F5em algumas condi=E7=F5es. =
Primeiramente, deve-se lutar pelo acesso universal =E0s novas =
tecnologias de comunica=E7=E3o e informa=E7=E3o, em especial a Internet, =
pois caso contr=E1rio haveria exclus=E3o. No modelo de democracia =
eletr=F4nica proposto por L=E9vy, a participa=E7=E3o pol=EDtica precisa =
necessariamente de processos de inclus=E3o digital em massa, o que =
implicaria uma s=E9rie de medidas pr=E9vias ao
estabelecimento da =E1gora virtual. Sabemos que a inclus=E3o digital =E9 =
perfeitamente poss=EDvel, mas exige
pol=EDticas p=FAblicas para a sua viabiliza=E7=E3o.

E isso n=E3o bastaria. O principal objetivo do ciberespa=E7o =E9 criar =
comunidades virtuais e intelig=EAncias coletivas. O acesso de todos =
seria apenas um primeiro passo infra-estrutural, mas nunca um fim em si =
mesmo. A inclus=E3o digital e o acesso universal modificariam os quadros =
de exclus=E3o social, na medida em que geram oportunidades e recursos =
(informa=E7=E3o e conhecimentos) a serem gerenciados de forma =
democr=E1tico-participativa, sempre em benef=EDcio p=FAblico. A =
inclus=E3o digital e o acesso universal promoveriam o desenvolvimento de =
regi=F5es desfavorecidas, juntamente com outras medidas inclusivas.

O fen=F4meno de comunidades virtualmente constitu=EDdas n=E3o significa =
absolutamente a imita=E7=E3o da realidade. Sua constitui=E7=E3o depende =
da realidade pelo aspecto t=E9cnico: para o estabelecimento de =
comunidades virtuais e intelig=EAncias coletivas no ciberespa=E7o, =E9 =
estritamente necess=E1ria a utiliza=E7=E3o de recursos digitais para a =
cria=E7=E3o de um universo virtual. O ciberespa=E7o seria esse universo
digital, fisicamente explic=E1vel, mas tamb=E9m seria composto pelas =
virtuosas possibilidades do virtual: o
reino das potencialidades estaria contido no ciberespa=E7o, inclusive as =
pot=EAncias do povo  demodynamis)2.

L=E9vy adverte para o risco da reprodutibilidade t=E9cnica e critica os =
processos atuais de duplica=E7=E3o da realidade nos meios virtuais (por =
exemplo acervos de museus e bibliotecas e projetos de imita=E7=E3o - em =
que a disposi=E7=E3o tecnol=F3gica duplica a realidade institucional =
j=E1 estabelecida). Seria necess=E1ria a criatividade p=FAblica e a sua =
pr=F3-atividade para reinventar a realidade, organizando-se em redes de =
articula=E7=E3o da informa=E7=E3o e, conseq=FCentemente, em grupos de =
interesse. Trata-se do conceito de comunidades virtuais.

"O nervo do ciberespa=E7o n=E3o =E9 o consumo de informa=E7=F5es o de =
servi=E7os interativos, mas a participa=E7=E3o em um processo social de =
intelig=EAncia coletiva. (...) A verdadeira democracia eletr=F4nica =
consiste em encorajar, tanto quanto poss=EDvel - gra=E7as =E0s =
possibilidades de comunica=E7=E3o interativa e coletiva oferecidas pelo =
ciberespa=E7o -, a express=E3o e a elabora=E7=E3o dos problemas da =
cidade pelos pr=F3prios cidad=E3os, a auto-organiza=E7=E3o das =
comunidades locais, a participa=E7=E3o nas delibera=E7=F5es por parte =
dos grupos diretamente afetados pelas decis=F5es, a transpar=EAncia das =
pol=EDticas p=FAblicas e sua avalia=E7=E3o pelos cidad=E3os." (L=E9vy, =
1999. p.186)

O universo ciber se conformaria a partir dos princ=EDpios de =
i)interconex=E3o, ii)a cria=E7=E3o de comunidades virtuais e iii)a =
intelig=EAncia coletiva. Bem, a interconex=E3o seria a condi=E7=E3o =
fundamental do estabelecimento de redes.=20
              "A cibercultura aponta para uma civiliza=E7=E3o da =
telepresen=E7a  generalizada. Para al=E9m de uma f=EDsica da =
comunica=E7=E3o, a interconex=E3o constitui a humanidade em um =
cont=EDnuo sem fronteiras, cava um meio informacional oce=E2nico, =
mergulha os seres e as coisas no mesmo banho de comunica=E7=E3o =
interativa. A interconex=E3o tece um universal por contato." (L=E9vy, =
1999. p.127)

Comunidades virtuais seriam a ess=EAncia organizacional de redes e =
articula=E7=F5es no ciberespa=E7o e seriam constru=EDdas sobre as =
afinidades de interesses, conhecimentos projetos m=FAtuos, em processos
cooperativos e de troca. Tudo isso independentemente das fronteiras =
geogr=E1ficas e dos limites institucionais. Como toda comunidade, as =
virtualmente constitu=EDdas precisam de acordos para a conviv=EAncia e =
procedimentos sociais. L=E9vy n=E3o imagina uma civiliza=E7=E3o =
id=EDlica, mas sup=F5e o conflito e, por isso mesmo, sugere o =
estabelecimentos de pactos de coletividade.

Assim como as no=E7=F5es de rede, a conceitua=E7=E3o de comunidades =
virtuais implica as id=E9ias de
auto-organiza=E7=E3o, desenvolvimento, sujeitos imanentes (autores de =
suas pr=F3prias hist=F3rias, cidad=E3os ativos),democracia =
participativa, horizontalidade de rela=E7=F5es, realimenta=E7=E3o da =
informa=E7=E3o, interconectividade, multilideran=E7a, etc.

As comunidades se constituiriam de acordo com o n=FAmero exponencial de =
possibilidades contidas no
ciberespa=E7o e exemplificam a virtuosidade do virtual, mas tamb=E9m os =
seus paradoxos. Segundo L=E9vy, o
ciberespa=E7o =E9 um fen=F4meno decorrente de demandas sociais =
historicamente datadas na crise de paradigmas da virada do s=E9culo XX =
para o XXI.

As proposi=E7=F5es de um ciberespa=E7o e da cria=E7=E3o de comunidades =
virtuais s=E3o respostas aos limites
organizacionais de uma realidade complexificada com a globaliza=E7=E3o e =
seus efeitos negativos e positivos. Em =E9pocas de =
desterritorializa=E7=F5es, universaliza=E7=F5es e neoliberalismos, uma =
esp=E9cie de contra cultura interna ao pr=F3prio sistema global, se =
afirma entorno de no=E7=F5es e valores hist=F3ricos: comunidade, =
alteridade, diversidade, humanismo, redes de colabora=E7=E3o e =
solidariedade, etc.
Filosoficamente essas caracter=EDsticas estariam envoltas no princ=EDpio =
de iman=EAncia: seriam os pr=F3prios sujeitos hist=F3ricos que organizam =
o porvir, a partir do exerc=EDcio ativo de suas cidadanias.

Cidadania ativa, desenvolvimento de comunidades, estabelecimento de =
interconex=F5es e redes colaborativas s=E3o fen=F4menos din=E2micos de =
uma sociedade em busca de novas formas de organiza=E7=E3o e express=E3o. =
O advento de intelig=EAncias coletivas, baseadas em redes de =
interatividade e composi=E7=F5es p=FAblicas seria uma etapa encadeada =
dos processos de auto-organiza=E7=E3o social (comunidades virtuais) e =
interconex=E3o exponencial de sujeitos imanentes.

A legitimidade dessa atua=E7=E3o hist=F3rica de sujeitos conscientes de =
suas identidades e seus valores, em
pr=F3-atividade pelo bem comum transforma uma cultura globalizada ao =
l=E9u em uma cultura de cidad=E3os ativos capazes de se responsabilizar =
pela constru=E7=E3o coletiva de uma sociedade desejada. Para L=E9vy, uma =
cibersociedade vi=E1vel e virtual. O estabelecimento de espa=E7os =
virtualmente compartilhados (=E1goras virtuais) em termos pol=EDticos e =
informacionais, possibilita a constitui=E7=E3o de intelig=EAncias =
coletivas.

As intelig=EAncias coletivas seriam produtos pensantes e constituintes =
da democracia eletr=F4nica, configurada entorno de =E1goras virtuais. =
Sua atua=E7=E3o seria absolutamente din=E2mica, aut=F4noma e fractal. =
Por isso, n=E3o significam na filosofia pol=EDtica de L=E9vy um fim em =
si mesmo mas o meio demodin=E2mico e digital de produ=E7=E3o, =
avalia=E7=E3o e articula=E7=E3o de propostas p=FAblicas para o bem =
comum. As transforma=E7=F5es sociais realizam-se fisicamente.
"Numa perspectiva pol=EDtica, as grandes fases da din=E2mica da =
intelig=EAncia coletiva s=E3o a escuta, a express=E3o, a decis=E3o, a =
avalia=E7=E3o, a organiza=E7=E3o, a conex=E3o e a vis=E3o, cada uma =
delas remetendo a todas as outras. (...) A escuta consiste em fazer =
emergir, em tornar vis=EDvel ou aud=EDvel, a mir=EDade de id=E9ias, =
argumentos, fatos, avalia=E7=F5es, inven=E7=F5es, rela=E7=F5es que =
constituem o social real, a massa do social em sua mais profunda =
obscuridade. (...) A escuta inverte o movimento midi=E1tico. Recupera o =
murm=FArio do coletivo, em vez de dar a palavra aos representantes. Que =
a m=EDdia continue a anunciar cat=E1strofes e a difundir imagens das =
pessoas do poder. A democracia em tempo real se ap=F3ia em um =
dispositivo p=F3s-midi=E1tico, uma rede de comunica=E7=E3o molecular =
sobre as pr=E1ticas positivas, os recursos, os projetos, os saberes e as =
id=E9ias." (L=E9vy, 1994)
                                   ......

Bem, que questionamentos essas considera=E7=F5es iniciais sobre a obra =
de L=E9vy poderiam suscitar? Quando lemos suas id=E9ias sobre democracia =
eletr=F4nica nos inspiramos e somos levados a desejar as =
transforma=E7=F5es sugeridas. E, mais do que isso, sentimos uma =
satisfa=E7=E3o interior ao percebermos que o terceiro setor, esse =
universo com o qual e a partir do qual escolhemos trabalhar, no fundo =
tem se articulado de forma semelhante =E0s articula=E7=F5es em rede =
necess=E1rias =E0 democracia eletr=F4nica configurada por L=E9vy.

O que distancia nossa realidade das proposi=E7=F5es de L=E9vy =E9 que, =
por ora, apenas uma pequen=EDssima parcela da popula=E7=E3o tem acesso =
=E0s novas tecnologias. Mesmo o terceiro setor ainda utiliza a internet =
de forma individualizada (pesquisas, correio eletr=F4nico, intranet, =
etc). Estamos em fase inicial das sinergias operacionais e =
informacionais, do trabalho conjunto on line. De uns tempos para c=E1 =
v=EAm aumentando as a=E7=F5es e articula=E7=F5es em espa=E7os digitais =
(ciberf=F3runs, programas on line que
permitem o gerenciamento p=FAblico de conhecimentos e informa=E7=F5es, =
etc) e a forma=E7=E3o de comunidades virtuais pode crescer =
exponencialmente =E0 medida em que os usu=E1rios de Internet percebam as =
possibilidades de constru=E7=F5es conjuntas presentes no ciberespa=E7o. =
Mais ainda, seria importante que de meros usu=E1rios, os internautas =
passem a atuar e a se denominar como cidad=E3os na Internet.

As a=E7=F5es da sociedade civil e suas causas transformadoras apontam =
para experi=EAncias de redes e
democracia, a partir de valores altru=EDstas e atitudes cooperativas. =
Independente do meio eletr=F4nico, o
desenvolvimento de la=E7os horizontais de solidariedade e projetos em =
redes =E9 que t=EAm promovido experi=EAncias semelhantes aos =
princ=EDpios e fundamentos das configura=E7=F5es de L=E9vy. Os meios =
diferem mas essas redes - ou comunidades virtuais - est=E3o certamente =
muito pr=F3ximas de se estabelecer como intelig=EAncias coletivas porque =
estamos buscando a realiza=E7=E3o do compartilhamento de experi=EAncias, =
conhecimentos e informa=E7=F5es por todos os cidad=E3os.

Para melhor nos aproximarmos dos modelos de democracia eletr=F4nica, =
primeiramente ter=EDamos de
conectar as regi=F5es desfavorecidas, o que vem acontecendo aqui e =
acol=E1, mas ainda n=E3o se trata de um fen=F4meno universal. Em segundo =
lugar ter=EDamos de pensar a utiliza=E7=E3o e o desfrute de nossas =
comunidades virtuais (ou redes), e nossos inteligentes coletivos no =
ciberespa=E7o para, finalmente, obter uma sociedade demodin=E2mica =
configurada em tempo real (no imediatismo do agora virtual).

Da=ED que propomos uma brincadeira ling=FC=EDstica entre a no=E7=E3o de =
=E1gora virtual de L=E9vy e um outro fundamento das id=E9ias de =
democracia eletr=F4nica do autor: ao inv=E9s de =E1goras virtuais =
pensamos em agoras (tempo real da e-democracia) virtuais para fazer =
justi=E7a tanto =E0 temporalidade das intera=E7=F5es coletivamente =
inteligentes, quanto =E0 l=F3gica inclusiva de L=E9vy. Mas essa =
quest=E3o do tempo deixamos para um pr=F3ximo texto.=20

1L=E9vy utiliza alguns conceitos hist=F3ricos, cujas significa=E7=F5es =
implicam a compreens=E3o de sua argumenta=E7=E3o. =C1gora era o espa=E7o =
p=FAblico na cidade antiga grega (p=F3lis), onde os debates aconteciam e =
as decis=F5es eram tomadas pelos cidad=E3os em exerc=EDcio direto de sua =
cidadania. Na
democracia grega n=E3o havia a representa=E7=E3o da vontade e dos =
interesses dos cidad=E3os (tal qual na democracia representativa), mas =
eles exprimiam seus desejos pol=EDticos diretamente na =E1gora. Seria o
melhor dos mundos pol=EDticos n=E3o fosse o fato de haver exclus=F5es: =
nem todos eram cidad=E3os na p=F3lis. Mulheres, estrangeiros, crian=E7as =
e escravos ficavam de fora do exerc=EDcio da cidadania. No entanto, a
democracia grega vige at=E9 hoje como um importante tipo democr=E1tico, =
principalmente devido ao seu car=E1ter ativo (ao exerc=EDcio direto da =
cidadania, em sentido estrito).


2L=E9vy chama de demodynamis as pot=EAncias do povo que, segundo ele, =
=E9 uma express=E3o que se aproxima mais da id=E9ia de uma =
atualiza=E7=E3o da democracia (democracia eletr=F4nica) do que a =
democracia mesma (poder do povo). Essa proposi=E7=E3o decorre dos =
princ=EDpios da din=E2mica das redes
de colabora=E7=E3o, as quais recusam a id=E9ia de poder j=E1 que se =
estabelecem entorno de rela=E7=F5es horizontalizadas. L=E9vy, 1994.=20

              Bibliografia: Pierre L=E9vy.
              - Cibercultura. S=E3o Paulo: Editora 34, 1999.
              -A intelig=EAncia coletiva. Por uma antropologia do
              ciberespa=E7o. S=E3o Paulo: Editora 34, 1994.


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As Redes e a atualiza=E7=E3o da experi=EAncia=20
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Existem alguns pensadores que v=EAm considerando o fen=F4meno =
contempor=E2neo da=20
constitui=E7=E3o de comunidades virtuais. Apresentamos inicialmente =
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de Pierre L=E9vy porque as consideramos fundamentais para os estudos e =
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pr=E1ticas de articula=E7=E3o em redes sociais. Suas conceitua=E7=F5es =
contextualizam as=20
discuss=F5es ligadas ao advento de um ciberespa=E7o, al=E9m de =
apresentarem problemas=20
filos=F3ficos e um sentido pol=EDtico. Em linhas gerais dir=EDamos que =
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As proposi=E7=F5es de L=E9vy sobre o desenvolvimento de umciberespa=E7o, =
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L=E9vy sugere a atualiza=E7=E3o da democracia, em primeiro lugar, porque =
a democracia=20
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participa=E7=E3o e&&nbsp;colabora=E7=E3o das aspira=E7=F5es sociais e das =

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intera=E7=E3o.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;=20
A raz=E3o hist=F3rica que explica a necessidade de&&nbsp;atualiza=E7=E3o =
da democracia=20
seria contr=E1ria =E0s teorias do&&nbsp;impacto social das tecnologias. O =
autor=20
acredita que os&&nbsp;meios de comunica=E7=E3o surgem e se inovam de =
acordo&&nbsp;com=20
demandas sociais e n=E3o o oposto.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;=20
"a emerg=EAncia do ciberespa=E7o =E9 fruto de um verdadeiro =
movimento&&nbsp;social, com=20
seu grupo l=EDder (a juventude metropolitana escolarizada),&&nbsp;suas =
palavras de=20
ordem (interconex=E3o, cria=E7=E3o de comunidades&&nbsp;virtuais, =
intelig=EAncia=20
coletiva) e suas aspira=E7=F5es coerentes." (L=E9vy,&&nbsp;1999. =
p.123)</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;=20
O advento de um ciberespa=E7o aponta para uma realidade&&nbsp;em =
constru=E7=E3o. Por se=20
encontrar em defini=E7=E3o, o&&nbsp;ciberespa=E7o =E9 prop=EDcio ao =
desenvolvimento=20
criativo de&&nbsp;possibilidades. A realidade que se quer estabelecer=20
=E9&&nbsp;poss=EDvel com algumas condi=E7=F5es e deve firmar-se a =
partir&&nbsp;da=20
articula=E7=E3o de redes de coopera=E7=E3o capazes de =
gerar&&nbsp;a=E7=F5es e resultados=20
sociais, na medida em que deve estar<BR>a servi=E7o do desenvolvimento =
da=20
humanidade.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;=20
A tese de L=E9vy seria o desenvolvimento de um espa=E7o =
de&&nbsp;proposi=E7=F5es e=20
resolu=E7=F5es coletivas virtualmente&&nbsp;constitu=EDdo (uma =E1gora =
virtual), capaz de=20
promover o&&nbsp;exerc=EDcio pleno da cidadania (cidadania ativa), por =
meio&&nbsp;de=20
uma gest=E3o participativa, em benef=EDcio do bem&&nbsp;comum.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;=20
Os argumentos que legitimam historicamente a&&nbsp;configura=E7=E3o de =
uma =E1gora=20
virtual sup=F5em algumas&&nbsp;condi=E7=F5es. Primeiramente, deve-se =
lutar pelo=20
acesso&&nbsp;universal =E0s novas tecnologias de comunica=E7=E3o =
e&&nbsp;informa=E7=E3o, em=20
especial a Internet, pois caso contr=E1rio&&nbsp;haveria exclus=E3o. No =
modelo de=20
democracia eletr=F4nica&&nbsp;proposto por L=E9vy, a participa=E7=E3o =
pol=EDtica=20
precisa&&nbsp;necessariamente de processos de inclus=E3o digital =
em&&nbsp;massa, o=20
que implicaria uma s=E9rie de medidas pr=E9vias ao<BR>estabelecimento da =
=E1gora=20
virtual. Sabemos que a&&nbsp;inclus=E3o digital =E9 perfeitamente =
poss=EDvel, mas=20
exige<BR>pol=EDticas p=FAblicas para a sua viabiliza=E7=E3o.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>E isso n=E3o bastaria. O principal objetivo do ciberespa=E7o =
=E9&&nbsp;criar=20
comunidades virtuais e intelig=EAncias coletivas. O&&nbsp;acesso de todos =
seria=20
apenas um primeiro passo&&nbsp;infra-estrutural, mas nunca um fim em si =
mesmo.=20
A&&nbsp;inclus=E3o digital e o acesso universal modificariam =
os&&nbsp;quadros de=20
exclus=E3o social, na medida em que geram&&nbsp;oportunidades e recursos=20
(informa=E7=E3o e conhecimentos) a&&nbsp;serem gerenciados de forma=20
democr=E1tico-participativa,&&nbsp;sempre em benef=EDcio p=FAblico. A =
inclus=E3o digital=20
e o&&nbsp;acesso universal promoveriam o desenvolvimento =
de&&nbsp;regi=F5es=20
desfavorecidas, juntamente com outras medidas&&nbsp;inclusivas.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>O fen=F4meno de comunidades virtualmente constitu=EDdas&&nbsp;n=E3o =
significa=20
absolutamente a imita=E7=E3o da realidade. Sua&&nbsp;constitui=E7=E3o =
depende da=20
realidade pelo aspecto t=E9cnico:&&nbsp;para o estabelecimento de =
comunidades=20
virtuais e&&nbsp;intelig=EAncias coletivas no ciberespa=E7o, =E9=20
estritamente&&nbsp;necess=E1ria a utiliza=E7=E3o de recursos digitais =
para a=20
cria=E7=E3o&&nbsp;de um universo virtual. O ciberespa=E7o seria esse=20
universo<BR>digital, fisicamente explic=E1vel, mas tamb=E9m =
seria&&nbsp;composto=20
pelas virtuosas possibilidades do virtual: o<BR>reino das =
potencialidades=20
estaria contido no ciberespa=E7o,&&nbsp;inclusive as pot=EAncias do =
povo&&nbsp;=20
demodynamis)2.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>L=E9vy adverte para o risco da reprodutibilidade t=E9cnica =
e&&nbsp;critica os=20
processos atuais de duplica=E7=E3o da realidade&&nbsp;nos meios virtuais =
(por exemplo=20
acervos de museus e&&nbsp;bibliotecas e projetos de imita=E7=E3o - em que =
a=20
disposi=E7=E3o&&nbsp;tecnol=F3gica duplica a realidade institucional=20
j=E1&&nbsp;estabelecida). Seria necess=E1ria a criatividade p=FAblica e =
a&&nbsp;sua=20
pr=F3-atividade para reinventar a realidade,&&nbsp;organizando-se em =
redes de=20
articula=E7=E3o da informa=E7=E3o e,&&nbsp;conseq=FCentemente, em grupos =
de interesse.=20
Trata-se do&&nbsp;conceito de comunidades virtuais.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>"O nervo do ciberespa=E7o n=E3o =E9 o consumo de informa=E7=F5es o =
de=20
servi=E7os&&nbsp;interativos, mas a participa=E7=E3o em um processo =
social de=20
intelig=EAncia&&nbsp;coletiva. (...) A verdadeira democracia eletr=F4nica =
consiste=20
em&&nbsp;encorajar, tanto quanto poss=EDvel - gra=E7as =E0s =
possibilidades=20
de&&nbsp;comunica=E7=E3o interativa e coletiva oferecidas pelo =
ciberespa=E7o -,=20
a&&nbsp;express=E3o e a elabora=E7=E3o dos problemas da cidade pelos=20
pr=F3prios&&nbsp;cidad=E3os, a auto-organiza=E7=E3o das comunidades =
locais, a=20
participa=E7=E3o&&nbsp;nas delibera=E7=F5es por parte dos grupos =
diretamente afetados=20
pelas&&nbsp;decis=F5es, a transpar=EAncia das pol=EDticas p=FAblicas e =
sua avalia=E7=E3o=20
pelos&&nbsp;cidad=E3os." (L=E9vy, 1999. p.186)</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>O universo ciber se conformaria a partir dos princ=EDpios=20
de&&nbsp;i)interconex=E3o, ii)a cria=E7=E3o de comunidades virtuais =
e&&nbsp;iii)a=20
intelig=EAncia coletiva. Bem, a interconex=E3o seria a&&nbsp;condi=E7=E3o =
fundamental do=20
estabelecimento de redes.=20
<BR>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nb=
sp;&&nbsp;=20
"A cibercultura aponta para uma civiliza=E7=E3o da=20
telepresen=E7a&&nbsp;&&nbsp;generalizada. Para al=E9m de uma f=EDsica da =
comunica=E7=E3o, a=20
interconex=E3o&&nbsp;constitui a humanidade em um cont=EDnuo sem =
fronteiras, cava um=20
meio informacional oce=E2nico, mergulha os seres e as coisas no mesmo=20
banho&&nbsp;de comunica=E7=E3o interativa. A interconex=E3o tece um =
universal=20
por&&nbsp;contato." (L=E9vy, 1999. p.127)</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>Comunidades virtuais seriam a ess=EAncia organizacional&&nbsp;de =
redes e=20
articula=E7=F5es no ciberespa=E7o e seriam&&nbsp;constru=EDdas sobre as =
afinidades de=20
interesses,&&nbsp;conhecimentos projetos m=FAtuos, em =
processos<BR>cooperativos e=20
de troca. Tudo isso independentemente&&nbsp;das fronteiras geogr=E1ficas =
e dos=20
limites institucionais.&&nbsp;Como toda comunidade, as virtualmente=20
constitu=EDdas&&nbsp;precisam de acordos para a conviv=EAncia e=20
procedimentos&&nbsp;sociais. L=E9vy n=E3o imagina uma civiliza=E7=E3o =
id=EDlica,=20
mas&&nbsp;sup=F5e o conflito e, por isso mesmo, sugere =
o&&nbsp;estabelecimentos de=20
pactos de coletividade.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>Assim como as no=E7=F5es de rede, a conceitua=E7=E3o =
de&&nbsp;comunidades virtuais=20
implica as id=E9ias de<BR>auto-organiza=E7=E3o, desenvolvimento, =
sujeitos=20
imanentes&&nbsp;(autores de suas pr=F3prias hist=F3rias, cidad=E3os =
ativos),democracia=20
participativa, horizontalidade de rela=E7=F5es,&&nbsp;realimenta=E7=E3o =
da informa=E7=E3o,=20
interconectividade,&&nbsp;multilideran=E7a, etc.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>As comunidades se constituiriam de acordo com o&&nbsp;n=FAmero =
exponencial de=20
possibilidades contidas no<BR>ciberespa=E7o e exemplificam a =
virtuosidade do=20
virtual,&&nbsp;mas tamb=E9m os seus paradoxos. Segundo L=E9vy, =
o<BR>ciberespa=E7o =E9 um=20
fen=F4meno decorrente de demandas&&nbsp;sociais historicamente datadas na =
crise de=20
paradigmas&&nbsp;da virada do s=E9culo XX para o XXI.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>As proposi=E7=F5es de um ciberespa=E7o e da cria=E7=E3o =
de&&nbsp;comunidades virtuais=20
s=E3o respostas aos limites<BR>organizacionais de uma realidade =
complexificada com=20
a&&nbsp;globaliza=E7=E3o e seus efeitos negativos e positivos. =
Em&&nbsp;=E9pocas de=20
desterritorializa=E7=F5es, universaliza=E7=F5es e&&nbsp;neoliberalismos, =
uma esp=E9cie de=20
contra cultura interna&&nbsp;ao pr=F3prio sistema global, se afirma =
entorno de=20
no=E7=F5es e&&nbsp;valores hist=F3ricos: comunidade, alteridade,=20
diversidade,&&nbsp;humanismo, redes de colabora=E7=E3o e solidariedade,=20
etc.<BR>Filosoficamente essas caracter=EDsticas estariam =
envoltas&&nbsp;no=20
princ=EDpio de iman=EAncia: seriam os pr=F3prios =
sujeitos&&nbsp;hist=F3ricos que=20
organizam o porvir, a partir do exerc=EDcio&&nbsp;ativo de suas =
cidadanias.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>Cidadania ativa, desenvolvimento de =
comunidades,&&nbsp;estabelecimento de=20
interconex=F5es e redes colaborativas&&nbsp;s=E3o fen=F4menos din=E2micos =
de uma=20
sociedade em busca de&&nbsp;novas formas de organiza=E7=E3o e =
express=E3o. O advento=20
de&&nbsp;intelig=EAncias coletivas, baseadas em redes =
de&&nbsp;interatividade e=20
composi=E7=F5es p=FAblicas seria uma etapa&&nbsp;encadeada dos processos =
de=20
auto-organiza=E7=E3o social&&nbsp;(comunidades virtuais) e interconex=E3o =
exponencial=20
de&&nbsp;sujeitos imanentes.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>A legitimidade dessa atua=E7=E3o hist=F3rica de =
sujeitos&&nbsp;conscientes de suas=20
identidades e seus valores, em<BR>pr=F3-atividade pelo bem comum =
transforma uma=20
cultura&&nbsp;globalizada ao l=E9u em uma cultura de cidad=E3os =
ativos&&nbsp;capazes=20
de se responsabilizar pela constru=E7=E3o coletiva de&&nbsp;uma sociedade =
desejada.=20
Para L=E9vy, uma cibersociedade&&nbsp;vi=E1vel e virtual. O =
estabelecimento de=20
espa=E7os&&nbsp;virtualmente compartilhados (=E1goras virtuais) em=20
termos&&nbsp;pol=EDticos e informacionais, possibilita a constitui=E7=E3o =

de&&nbsp;intelig=EAncias coletivas.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>As intelig=EAncias coletivas seriam produtos pensantes =
e&&nbsp;constituintes=20
da democracia eletr=F4nica, configurada&&nbsp;entorno de =E1goras =
virtuais. Sua=20
atua=E7=E3o seria&&nbsp;absolutamente din=E2mica, aut=F4noma e fractal. =
Por=20
isso,&&nbsp;n=E3o significam na filosofia pol=EDtica de L=E9vy um fim em =
si&&nbsp;mesmo=20
mas o meio demodin=E2mico e digital de produ=E7=E3o,&&nbsp;avalia=E7=E3o =
e articula=E7=E3o de=20
propostas p=FAblicas para o bem&&nbsp;comum. As&&nbsp;transforma=E7=F5es =
sociais=20
realizam-se&&nbsp;fisicamente.<BR>"Numa perspectiva pol=EDtica, as =
grandes fases da=20
din=E2mica da&&nbsp;intelig=EAncia coletiva s=E3o a escuta, a =
express=E3o, a decis=E3o, a=20
avalia=E7=E3o,&&nbsp;a organiza=E7=E3o, a conex=E3o e a vis=E3o, cada uma =
delas remetendo a=20
todas&&nbsp;as outras. (...) A escuta consiste em fazer emergir, em =
tornar=20
vis=EDvel ou&&nbsp;aud=EDvel, a mir=EDade de id=E9ias, argumentos, fatos, =
avalia=E7=F5es,=20
inven=E7=F5es,&&nbsp;rela=E7=F5es que constituem o social real, a massa =
do social em sua=20
mais&&nbsp;profunda obscuridade. (...) A escuta inverte o movimento =
midi=E1tico.=20
Recupera o murm=FArio do coletivo, em vez de dar a palavra=20
aos&&nbsp;representantes. Que a m=EDdia continue a anunciar cat=E1strofes =
e=20
a&&nbsp;difundir imagens das pessoas do poder. A democracia em tempo real =

se&&nbsp;ap=F3ia em um dispositivo p=F3s-midi=E1tico, uma rede de=20
comunica=E7=E3o&&nbsp;molecular sobre as pr=E1ticas positivas, os =
recursos, os=20
projetos, os&&nbsp;saberes e as id=E9ias." (L=E9vy, 1994)</DIV>
<DIV>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nb=
sp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;=20
......</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>Bem, que questionamentos essas considera=E7=F5es =
iniciais&&nbsp;sobre a obra de=20
L=E9vy poderiam suscitar? Quando lemos suas id=E9ias sobre democracia =
eletr=F4nica nos=20
inspiramos e&&nbsp;somos levados a desejar as transforma=E7=F5es =
sugeridas.=20
E,&&nbsp;mais do que isso, sentimos uma satisfa=E7=E3o interior =
ao&&nbsp;percebermos=20
que o terceiro setor, esse universo com o&&nbsp;qual e a partir do qual=20
escolhemos trabalhar, no fundo&&nbsp;tem se articulado de forma =
semelhante =E0s=20
articula=E7=F5es&&nbsp;em rede necess=E1rias =E0 democracia eletr=F4nica=20
configurada&&nbsp;por L=E9vy.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>O que distancia nossa realidade das proposi=E7=F5es de =
L=E9vy&&nbsp;=E9 que, por=20
ora, apenas uma pequen=EDssima parcela da&&nbsp;popula=E7=E3o tem acesso =
=E0s novas=20
tecnologias. Mesmo o&&nbsp;terceiro setor ainda utiliza a internet de=20
forma&&nbsp;individualizada (pesquisas, correio eletr=F4nico, =
intranet,&&nbsp;etc).=20
Estamos em fase inicial das sinergias operacionais&&nbsp;e =
informacionais, do=20
trabalho conjunto on line. De uns&&nbsp;tempos para c=E1 v=EAm aumentando =
as a=E7=F5es e=20
articula=E7=F5es&&nbsp;em espa=E7os digitais (ciberf=F3runs, programas on =
line=20
que<BR>permitem o gerenciamento p=FAblico de conhecimentos =
e&&nbsp;informa=E7=F5es,=20
etc) e a forma=E7=E3o de comunidades virtuais&&nbsp;pode crescer =
exponencialmente =E0=20
medida em que os&&nbsp;usu=E1rios de Internet percebam as possibilidades=20
de&&nbsp;constru=E7=F5es conjuntas presentes no ciberespa=E7o. =
Mais&&nbsp;ainda, seria=20
importante que de meros usu=E1rios, os&&nbsp;internautas passem a atuar e =
a se=20
denominar como&&nbsp;cidad=E3os na Internet.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>As a=E7=F5es da sociedade civil e suas causas&&nbsp;transformadoras =
apontam para=20
experi=EAncias de redes e<BR>democracia, a partir de valores =
altru=EDstas e=20
atitudes&&nbsp;cooperativas. Independente do meio eletr=F4nico,=20
o<BR>desenvolvimento de la=E7os horizontais de solidariedade =
e&&nbsp;projetos em=20
redes =E9 que t=EAm promovido experi=EAncias&&nbsp;semelhantes aos =
princ=EDpios e=20
fundamentos das&&nbsp;configura=E7=F5es de L=E9vy. Os meios diferem mas =
essas redes -=20
ou comunidades virtuais - est=E3o certamente&&nbsp;muito pr=F3ximas de se =
estabelecer=20
como intelig=EAncias&&nbsp;coletivas porque estamos buscando a =
realiza=E7=E3o=20
do&&nbsp;compartilhamento de experi=EAncias, conhecimentos =
e&&nbsp;informa=E7=F5es por=20
todos os cidad=E3os.</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>Para melhor nos aproximarmos dos modelos de&&nbsp;democracia =
eletr=F4nica,=20
primeiramente ter=EDamos de<BR>conectar as regi=F5es desfavorecidas, o =
que=20
vem&&nbsp;acontecendo aqui e acol=E1, mas ainda n=E3o se trata de =
um&&nbsp;fen=F4meno=20
universal. Em segundo lugar ter=EDamos de&&nbsp;pensar a utiliza=E7=E3o e =
o desfrute de=20
nossas comunidades&&nbsp;virtuais (ou redes), e nossos inteligentes =
coletivos=20
no&&nbsp;ciberespa=E7o para, finalmente, obter uma =
sociedade&&nbsp;demodin=E2mica=20
configurada em tempo real (no&&nbsp;imediatismo do agora virtual).</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>Da=ED que propomos uma brincadeira ling=FC=EDstica entre =
a&&nbsp;no=E7=E3o de =E1gora=20
virtual de L=E9vy e um outro fundamento&&nbsp;das id=E9ias de democracia =
eletr=F4nica=20
do autor: ao inv=E9s de&&nbsp;=E1goras virtuais pensamos em agoras (tempo =
real=20
da&&nbsp;e-democracia) virtuais para fazer justi=E7a tanto =
=E0&&nbsp;temporalidade das=20
intera=E7=F5es coletivamente inteligentes,&&nbsp;quanto =E0 l=F3gica =
inclusiva de L=E9vy.=20
Mas essa quest=E3o do&&nbsp;tempo deixamos para um pr=F3ximo texto. =
</DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>1L=E9vy utiliza alguns conceitos hist=F3ricos, cujas =
significa=E7=F5es implicam=20
a&&nbsp;compreens=E3o de sua argumenta=E7=E3o. =C1gora era o espa=E7o =
p=FAblico=20
na&&nbsp;cidade antiga grega (p=F3lis), onde os debates aconteciam e as=20
decis=F5es&&nbsp;eram tomadas pelos cidad=E3os em exerc=EDcio direto de =
sua cidadania.=20
Na<BR>democracia grega n=E3o havia a representa=E7=E3o da vontade e=20
dos&&nbsp;interesses dos cidad=E3os (tal qual na democracia =
representativa),=20
mas&&nbsp;eles exprimiam seus desejos pol=EDticos diretamente na =E1gora. =
Seria=20
o<BR>melhor dos mundos pol=EDticos n=E3o fosse o fato de haver =
exclus=F5es:=20
nem&&nbsp;todos eram cidad=E3os na p=F3lis. Mulheres, estrangeiros, =
crian=E7as=20
e&&nbsp;escravos ficavam de fora do exerc=EDcio da cidadania. No entanto, =

a<BR>democracia grega vige at=E9 hoje como um importante tipo=20
democr=E1tico,&&nbsp;principalmente devido ao seu car=E1ter ativo (ao =
exerc=EDcio=20
direto da&&nbsp;cidadania, em sentido estrito).<BR></DIV>
<DIV>&&nbsp;</DIV>
<DIV>2L=E9vy chama de demodynamis as pot=EAncias do povo que, segundo =
ele,&&nbsp;=E9=20
uma express=E3o que se aproxima mais da id=E9ia de uma atualiza=E7=E3o=20
da&&nbsp;democracia (democracia eletr=F4nica) do que a democracia mesma=20
(poder&&nbsp;do povo). Essa proposi=E7=E3o decorre dos princ=EDpios da =
din=E2mica das=20
redes<BR>de colabora=E7=E3o, as quais recusam a id=E9ia de poder j=E1 =
que=20
se&&nbsp;estabelecem entorno de rela=E7=F5es horizontalizadas. L=E9vy, =
1994. <BR></DIV>
<DIV>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;=20
Bibliografia:&&nbsp;Pierre=20
L=E9vy.<BR>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&n=
bsp;&&nbsp;&&nbsp;=20
- Cibercultura. S=E3o Paulo: Editora 34,=20
1999.<BR>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbs=
p;&&nbsp;&&nbsp;=20
-A intelig=EAncia coletiva. Por uma antropologia=20
do<BR>&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&nbsp;&&=
nbsp;&&nbsp;=20
ciberespa=E7o. S=E3o Paulo: Editora 34, =
1994.<BR></FONT></DIV></BODY></HTML>

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